domingo, 4 de março de 2012

Todos os obrigados do mundo, nunca chegarão...

(Ignorem o 4 de Março de 2012, a data original desde texto é 27 de Fevereiro de 2012)




Foi há um ano atrás... um ano... como o tempo passa... como tudo mudou...
Tinha completado 15 anos há cinco dias, e passados cinco dias, ir ver-te ao estádio, era sem dúvida o melhor prensente de anos de sempre.
Lembro-me de ter as pernas a tremer, (e ainda andávamos à procura de lugar no Colombo), ver através do vidro da carrinha o estádio do outro lado da estrada, milhares de pessoas com os cachecóis, uns falavam entre si, outros cantavam, outros sorriam... fazia-se de tudo, mas o tudo que se fazia estava acompanhado da felicidade notória estampada no rosto dos adeptos do maior clube de Portugal. Há anos que não ia lá, tinha o coração a bater a mil... voltar ao estádio mais uma vez e voltar a ver-te... havia algo melhor? Não, nada era melhor que aquilo.
O nervosismo invadia-me a alma e ainda muita coisa estava por acontecer...
Estacionámos, fomos comer até que os minutos foram passando e aproximava-se a hora de entrarmos na Catedral, passámos o túnel... o coração queria saltar-me do peito, era o nervosismo e a felicidade a falarem mais alto. Passámos os torniquetes, subimos as escadas, já estávamos no estádio, procuramos a porta que dava a acesso à bancada, estávamos perto... passámos novamente nos torniquetes, virámos-nos para esquerda e heis que surgiu o paraíso, num intervalo entre o chão da bancada e o tecto do andar de cima, lá estavam as outras bancadas... tudo parou, fiquei ali, a contemplar a beleza da minha casa... as primeiras palavras? ''Oh meu Deus, que lindo... nunca vi nada a assim em toda a minha vida...'' os olhos ainda continuavam a brilhar... é incrível, que até hoje sempre que entro lá, digo sempre a mesma coisa, como que a cada vez que entrasse lá, fosse a primeira.
Procurámos a nossa fila, encontrámos as nossas cadeiras e sentámos-nos, fiquei durante muito tempo a admirar o palco onde tudo acontece, não há nada assim, em todo o mundo.
Os minutos iam passando até que uma voz quase que interrompe o barulho de fundo que estava presente no estádio.... ''E agora Benfiquistas, um forte aplauso para os nossos campeõees'', toda a gente se levantou, ouviram-se milhares de palmas... assobios... gritos...e heis que o melhor momento chegou... apareces-te... eu vi-te. Meu Deus, que saudades tinha do meu menino...
Aqueceram, retiraram-se, e entraram novamente, o jogo ia começar... início da partida... jogámos... fim da primeira parte... início da segunda parte, aos 76 minutos vai o Djalma e marca... estávamos a perder... continuámos a jogar, sem desistir, com raça, querer e ambição... aos 86 minutos Salvio marca, repõe o resultado 1-1, uma vez que anularam um golo limpo de Luisão, teoricamente, Salvio inaugura o marcador... estávamos a sofrer... e nos últimos 10 segundos do jogo, o meu menino marcou. Sim, o Fábio marcou e deu a vitória ao Benfica.
Todos festejámos como se não houvesse amanhã, mas não foi uma comemoração normal... ao longo do jogo tínhamos sido enganados várias vezes por parecer que finalmente iríamos golear para a vitória e quando finalmente o Fábio marca, muitas pessoas a meu redor me abraçaram... acho que ao dizer vários vezes durante o jogo ''Amo-te Fábio, és lindo'' fiz com que as pessoas ao meu redor soubessem que o amava e que tinha todo o orgulho nele... ''O teu Fábio marcou'', disseram as várias pessoas que me abraçaram, mesmo sem me conhecerem, (é normal isto acontecer, uma vez que ali tudo se vive com uma intensidade inimaginável), ao início festejei, mas, depois, parei e pensei ''Vai na volta, até nem foi golo, se calhar enganámos-nos novamente'' e eis que aparece na televisão gigante a foto do Fábio, o número da camisola e uma letras a dizerem ''GOLOOOO!'' e foi aí que desatei a chorar como se não houvesse amanhã. Se só por ir ao estádio já tinha a certeza que era o melhor presente de aniversário de sempre, então após o golo do meu menino, ficou totalmente esclarecido que aquilo era realmente o melhor.
Se eu parei para pensar que aquele dia iria estar sempre presente do meu dia-a-dia? Não. Se eu pensei que aquele dia se ia tornar um dos melhores dias da minha vida? Também não. Mas tornou. Hoje os dias vão passando e não há um único dia que não pense nesse dia. Amo-o e terei sempre todo o orgulho do mundo nele.
Hoje, ele não está cá comigo mas como ''a esperança é a última a morrer'' então porque não hei de ter um pouco dela? Eu estarei cá, sempre à espera dele, demore o tempo que demorar.

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